Exposição Elifas Andreato

Elifas Andreato mudou a capa de discos no Brasil. De simples embalagem até discrepante de seu conteúdo – com as habituais exceções que sempre confirmam as regras –, a capa de discos ganhou vida nas mãos operárias desse filho de lavrador. Aliás, só um artista que veio do povo como ele poderia ter trazido para este acessório típico da era industrial o que até então lhe faltava: a emoção.

Elifas não tem falsos pudores. Suas capas levam o riso e a lágrima sem esconder sentimentos. Quem não se lembra daquela célebre capa de Paulinho da Viola no choro (e não tocando choro) em Nervos de Aço? E as pegadas da telúrica Clementina de Jesus impressas na areia de Clementina e Convidados? Quem não viajou no vagão ferroviárilo hiper-realista da Ópera do Malandro, de Chico Buarque? É possível sentir os discos antes, durante e depois da audição apenas contemplando ou mesmo apalpando os trabalhos. A capa e o encarte, os cartazes e, mais adiante, a própria produção e até algumas canções dão o testemunho de um artista que se envolve por inteiro com a música. Não é aquele profissional frio que mede cada gosto com uma calculadora de bolso. O Elifas está lá, jogando bola com os artistas, batendo uma sinuquinha, dividindo uma cerva, num abraço fraterno. Num País leva-vantagem, optou, ao longo de sua farta e diversa carreira, pela liberdade de opinar sempre, através de sua arte compromissada apenas com a humanidade.